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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

(Texto) Por de trás do seu sorriso

Debaixo daquelas engraçadas feições, escondia-se uma expressão má e duvidosa. Debaixo daquele sorriso doce e angelical, escondia-se uma boca com sede de sangue e vingança. Debaixo daquele nariz redondo e avermelhado, escondia-se um olfato sujo e perseguidor. Debaixo daquela peruca colorida, escondia-se uma careca cheia de cicatrizes. Debaixo daquele olhar alegre, escondia-se outro penetrante. Debaixo daquela máscara por ele criada, escondia-se um maníaco.
Enquanto a moça berrava, ele assentia. Um isqueiro aberto fora jogado sobre suas roupas que agora estavam chamuscadas, queimando no fogo que cismava em criptar. Ela debatia-se e ele ria, beijando-a com intensidade enquanto a mesma tentava escapar das mãos mortíferas. Ela não aguentaria a dor por muito tempo, e ele o desejo de possuí-la. Uma simples moça assistindo seus shows naquele velho picadeiro jamais imaginaria que um mero palhaço poderia esconder uma face tão assustadora. Uma moça humilde, um homem perverso. Uma moça medrosa, um homem doentio.
Ela já estava cansada. De sua testa berramava o sangue de um corte que por ele foi aberto. De seu peito a mostra, uma linha escarlate chamava a atenção. O palhaço observou a linha cortada e a chupou com força, como um vampiro prestes a saciar sua fome. A moça berrou, de novo.
Uma faca. Das suas mãos o pavoroso homem a tirou, cortando-lhe jugular e saciando-se por completo. Um maníaco, um viciado em sangue, um louco assassino... Não importa. Ele já saciara sua fome de morte. Agora que tinha sua recompensa... Precisava fazer o seu show.
Por Luísa V. Newlands

domingo, 13 de fevereiro de 2011

(Texto) O começo do fim

Em um universo pré-apocaliptico, pergunto-me todas os dias se algo ou alguém realmente existe. Não o fato da existência de matéria no vácuo. A existência filosófica. A essência humana. Aquilo que difere um homem de um rato. Seriam apenas seis genes?
Dentro do crânio está guardado um dos órgãos mais importantes do corpo. Não é o fato de controlar todas as ações que o faz tão relevante. O cérebro humano tem uma capacidade de reconhecer o certo e o errado. Na idade em que vivemos, em um universo cercado por tecnologias e novas descobertas, aquilo de mais sagrado parece a cada dia ser esquecido. O caráter.
Os dias parecem passar mais rápido. Somos bombardeados de novas informações quase vinte e quatro horas por dia. Nesse universo cheio de apostas e incertezas... A certeza é única. O homem não pensa em nada mais do que si mesmo.
Pare e reflita: quando uma criança, com dois anos de idade, ganha duas bonecas... Ela pensará em dar uma de presente à outra carente? Ou um jovem, quando ganha dinheiro, prefere gastar tudo para sair a noite ou doar a quem precisa? Adultos, quando recebem seus salários apenas gastam com suas próprias despesas que, a cada minuto, parecem se multiplicar?
Em um novo mundo, a sociedade mudou. Porém, desde os primórdios, o homem já se preocupava consigo unica e exclusivamente. Os anos passaram e a forma antropocêntrica de pensar apenas virou "cêntrica". Sempre seremos o centro. Sempre seremos os únicos.
E não importa se uma pequena massa de pessoas ligue para o futuro do planeta. Caminhamos para uma degradação própria. Um tiro no próprio pé. Quando pararmos para ver, da mesma forma que nos preocupávamos com apenas nossas cabeças... As outras estarão alinhadas ao chão, começando uma nova guerra. O fim dos tempos... Ou o começo de outros?
Por Luísa V. Newlands

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

(Texto) Adeus eterno

Seu olhar turvo denunciou o que viria a seguir.
Os caixos claros dançavam no ar, brincando em volta de sua cabeça. Os olhos, já escarlate devido a grande quantidade de lágrimas por eles despejadas, negavam o óbvio. Em suas mãos, o sangue tilintava. As vibrações intensificaram-se com o choro.
Por quê?, era o que ela perguntava. Ele estava ali há poucos instantes brincando ao seu lado, ignorando qualquer medo ou culpa que pudesse-lhe consumir. Agora, um buraco em seu peito era sua marca registrada. O assassino frio e mascarado se foi, levando consigo a glória e uma vida. A vida dele.
Ainda sem reação, a menina assentiu. Poderia ligar para a polícia, para uma ambulância ou para seus pais. Do que adiantaria? Agora, ele estava morto.
O brilho do seu olhar se apagou. Meras palavras não justificariam o fato. Nada valia a pena.
Ele tinha ido embora e, dessa vez... Para sempre.
Por Luísa V. Newlands